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Luto Gestacional e Parental: Em entrevista à Baepi, Dani Alany destaca importância do acolhimento e das leis em Ilhabela

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Em conversa sensível e esclarecedora na estreia do programa Baepi em parceria com o Estúdio Ilha Summit, a cofundadora do Grupo A.mar relatou sua trajetória pessoal, o luto na família e o pioneirismo do município na garantia de direitos hospitalares.

Por Redação Revista Baepi Parceria: Estúdio Ilha Summit | Apresentação: Danielle Santana e Angella Prado


A perda gestacional, neonatal e infantil ainda é um dos temas mais silenciados pela sociedade. Para quebrar tabus e levar informação e acolhimento às famílias, o programa Baepi estreou seu novo formato de entrevistas em parceria com o Estúdio Ilha Summit, recebendo Dani Alany (Daniele Garcez)– mãe, estudante de psicologia, cofundadora do Grupo A.mar e representante do movimento Maio Furta-Cor em Ilhabela.

Durante a entrevista, conduzida por Danielle Santana e Angella Prado, Garcez compartilhou de forma transparente sua trajetória marcada pelo nascimento e despedida de seus filhos Lívia e Luigi, pela chegada do Luca e de sua filha Sara. Além do relato pessoal, o encontro debateu a invisibilidade do luto paterno, o acolhimento aos irmãos e a conquista de leis municipais pioneiras em Ilhabela.


Transformando a Dor em Rede de Apoio: A História do Grupo A.mar

A trajetória de Dani Alany com o luto começou em 2015, com a perda de sua primeira filha, Lívia. Anos mais tarde, em 2020, ela enfrentou a perda de Luigi durante o período da pandemia. Diante da falta de espaços para conversar sobre a dor da despedida, Dani uniu forças com Verusca e Raquel para fundar, em 2018, o Grupo A.mar.

“Quando você perde um filho, você quer conversar com alguém que já passou por aquilo e fale: ‘eu te entendo’. Ter alguém que olhe e valide o que você está sentindo faz toda a diferença”, destacou Dani durante a entrevista.

O Grupo A.mar atua de forma voluntária em Ilhabela, promovendo rodas de conversa, apoio entre pares e encontros mensais para mães e famílias enlutadas. A iniciativa já acolheu mais de uma centena de mulheres na região.


O Luto do Pai e a Compreensão Infantil: “O Pé de Amora”

Um dos pontos de destaque da transmissão foi a abordagem sobre a dor invisibilizada dos pais. Dani ressaltou que a cobrança social para que os homens sejam “a fortaleza” faz com que muitos guardem o sofrimento para si.

A conversa também trouxe um olhar delicado sobre o luto infantil. Ao relatar como explicou a perda de Luigi ao filho Luca, Dani compartilhou a criação de um ritual afetivo em família:

“Nós plantamos um pé de amora no quintal de casa e dissemos ao Luca que aquele era o ‘cantinho do irmão’, um espaço de despedida. Hoje a amora cresceu e virou um símbolo de memória leve e bonita para a nossa família”.

Essa vivência inspirou a escrita de um livro infantil sobre o luto, projeto que Dani pretende lançar em breve para auxiliar pais, educadores e psicólogos na orientação de crianças sobre a finitude.


Direitos Garantidos: O Pioneirismo Legislativo de Ilhabela

A entrevista enfatizou como a mobilização comunitária em Ilhabela impulsionou avanços legais anos antes da aprovação de diretrizes nacionais. O município conta com legislações fundamentais:

  • Lei Municipal nº 1.441/2020: Institui a Semana de Sensibilização à Perda Gestacional, Neonatal e Infantil no calendário oficial (celebrada anualmente em outubro).
  • Lei Municipal nº 1.509/2022: Garante direitos essenciais nos serviços de saúde públicos e privados da ilha, tais como:
    • Acomodação em ala ou leito separado das demais gestantes;
    • Sinalização sensível na porta (uso de borboleta ou cores);
    • Direito a acompanhante de livre escolha durante todo o processo;
    • Prontuário sensível, evitando a repetição exaustiva da história do óbito à equipe médica;
    • Garantia de espaço e tempo para registros e memórias do bebê (como fotografias e carimbo dos pezinhos).
  • Lei Municipal nº 1.649/2024: Inclui no calendário o mês Maio Furta-Cor, dedicado à conscientização e promoção da saúde mental materna.

Essas conquistas locais antecederam a Lei Federal nº 15.139/2025, que estabeleceu a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental em todo o Brasil.


Assista à Entrevista Completa

Confira a transmissão na íntegra no canal oficial da Tv Baepi no YouTube:

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