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Economia

Semana de Vela projeta R$ 55,5 milhões em Ilhabela, mas impacto econômico nos bairros divide opiniões

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ILHABELA, SP — A 53ª Semana Internacional de Vela consolida-se anualmente como o principal motor econômico de Ilhabela durante o inverno. Com a expectativa de atrair cerca de 55 mil visitantes ao longo de sua programação, com 80% de taxa de ocupação, a Prefeitura estima que o evento esportivo e sua grade cultural movimentam aproximadamente R$55,5 milhões no comércio local de forma direta e indireta. Para tentar pulverizar esse montante para além do Centro Histórico (Vila), a administração municipal apostou na diversificação do público por meio de shows e na oferta de passeios gratuitos de ecoturismo.

Na prática, a “descentralização” desse fluxo turístico divide a percepção dos comerciantes e prestadores de serviço que atuam fora do eixo principal do evento.

Para Marcos de Souza Junior, do Quiosque Sabor do Mar, localizado no Portinho (região Sul), o evento traz reflexos positivos diretos. Ele relata que há um aumento no movimento impulsionado pela procura por locações de casas, Airbnb e pousadas na região. “Mesmo tendo a grande maioria procurando ficar mais próximo do centro, mesmo assim tem pessoas que preferem ficar mais para o lado Sul”, explica Marcos, destacando que as famílias dos velejadores acabam fomentando o comércio local durante o dia, enquanto os atletas estão no mar competindo.

No setor de ecoturismo, a prefeitura realizou um chamamento público contratando jipeiros para oferecer passeios gratuitos aos visitantes, cobrindo rotas do Norte ao Sul, além de cachoeiras e observação de aves. Rodrigo, proprietário da empresa Castelhanos Turismo, detalha que a iniciativa movimenta o setor de forma bastante prática. “Os jipes são contratados pelo município através de um chamamento. As pessoas se inscrevem em um site específico e nós as levamos para fazer os roteiros, tanto na parte Sul quanto na Norte, passando por praias, mirantes e cachoeiras, como a do Veloso e da Água Branca”, explica o empresário. A programação oferecida no evento atende até atividades de nicho, incluindo a observação de aves (“passarinhada”) e roteiros noturnos focados na fauna local.

No entanto, ele pondera que o seu público central não depende da regata. “A ilha já é turística por natureza. As pessoas que vêm para a ilha, mais de 90%, vêm em busca da praia e da natureza”, afirma Rodrigo, destacando que o evento soma forças à economia, mas traz uma porcentagem pequena de novos clientes focados estritamente no turismo ecológico


O limite do transbordamento financeiro

Por outro lado, a realidade de outros estabelecimentos mostra que o impacto da Semana de Vela não atinge todos os negócios. Karina Vanderstappen, proprietária do Restaurante Cura e de uma pousada, relata um cenário bem diferente. Segundo a empresária, a taxa de ocupação de sua pousada por causa do evento é zero, mas, assim também destaca que a maioria hospedada nesse período é pelo avistamento de baleias, ou seja, é composto estritamente por turistas sem ligação com o evento.

No restaurante de Karina, que opera apenas no horário de almoço, a movimentação do evento “não respinga”. Questionada se a Semana de Vela funciona como um respiro financeiro para o seu negócio durante o inverno, a resposta é categórica e reflete a dependência histórica da ilha em relação ao clima: “Não interfere… se há sol, o movimento melhora!”.

O panorama mostra que a economia do turismo em Ilhabela no mês de julho atua em duas frentes: enquanto o evento é, de acordo com o Observatório de Turismo, um grande indutor comercial da região central e da hotelaria de grande porte, muitos comércios de bairro e operadoras de natureza seguem sustentados pela força da vocação ecológica do arquipélago e pelas condições climáticas do fim de semana.

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